Novidades no Tratamento do Câncer de Mama

Muitas pesquisas sobre câncer de mama estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em prevenção, detecção precoce e tratamentos:

Causas do Câncer de Mama

Os estudos continuam mostrando fatores e hábitos do estilo de vida que alteram o risco de câncer de mama. Estudos em andamento estão avaliando o efeito dos exercícios, ganho ou perda de peso e dieta no risco de câncer de mama.

Estudos sobre o melhor uso dos exames genéticos para mutações no BRCA1 e BRCA2 continuam em um ritmo rápido. Os pesquisadores também estão explorando como as variações comuns do gene podem afetar o risco de câncer de mama. Cada variante do gene tem apenas um efeito modesto no risco (10 – 20%), mas quando tomados em conjunto podem potencialmente ter um grande impacto.

As possíveis causas ambientais do câncer de mama também têm recebido mais atenção nos últimos anos. Embora grande parte da ciência sobre o assunto ainda está em estágios iniciais, esta é uma área de pesquisa ativa.

Quimioprevenção

Resultados de vários estudos sugerem que os moduladores seletivos dos receptores de estrogênio, como o tamoxifeno e o raloxifeno podem diminuir o risco de câncer de mama em mulheres com certos fatores de risco de câncer de mama. Mas até agora, muitas mulheres são relutantes em usar estes medicamentos, por estarem mais preocupadas com os possíveis efeitos colaterais.

Estudos recentes estão avaliando se os inibidores de aromatase como o anastrozol, letrozol e o exemestano, podem reduzir o risco de desenvolver câncer de mama em mulheres pós-menopausadas. Estas drogas já estão em uso como terapia hormonal adjuvante para ajudar a prevenir a recidiva do câncer de mama, mas até o momento, sua eficácia em reduzir o câncer de mama ainda não foi comprovada. Em estudos recentes, o exemestano mostrou-se eficiente na diminuição do risco de câncer de mama invasivo em 65% das mulheres com risco aumentado.

O fenretinide, um retinóide, também está sendo estudado como uma forma de reduzir o risco de câncer de mama. Em um pequeno estudo, reduziu o risco da doença, tanto quanto o tamoxifeno. Outras drogas também estão sendo estudadas para reduzir o risco de câncer de mama.

Novos Exames de Laboratório

  • Estudos da Expressão dos Genes

Um dos dilemas com o câncer de mama em estágio inicial é que os médicos nem sempre tem como prever com exatidão quais mulheres têm um risco maior de ter uma recidiva após o tratamento. Por essa razão quase todas as mulheres, exceto para aquelas com tumores pequenos, recebem algum tipo de tratamento adjuvante após a cirurgia. Para tentar definir melhor as mulheres que irão se beneficiar da terapia adjuvante, os pesquisadores analisaram vários aspectos do câncer de mama.

Nos últimos anos, os pesquisadores foram capazes de vincular certos padrões de genes com cânceres mais agressivos, aqueles que tendem a recidivar e a se disseminar para outros órgãos. Alguns exames laboratoriais, com base nesses achados, como o DX Oncotype e o MammaPrint, já estão disponíveis, embora os médicos ainda estejam tentando determinar a melhor maneira de usá-los.

  • Células Tumorais Circulantes

Pesquisadores descobriram que em muitas mulheres com câncer de mama, as células do tumor podem se romper e entrar no sangue. Estas células tumorais circulantes podem ser detectadas por meio de exames de laboratório sensíveis. Esses exames ainda não estão disponíveis para uso geral, mas podem, eventualmente, ser úteis para determinar se o tratamento está funcionando em pacientes com câncer de mama metastático.

Exames de Imagem

Várias novas técnicas de imagem estão sendo estudados para avaliar anormalidades provenientes do câncer de mama.

  • Cintilomamografia (Imagem Molecular da Mama)

Na cintilomamografia, o radiofármaco sestamibi tecnécio é injetado na veia, que se liga às células do câncer de mama e é detectado por uma gama câmara.

Esta técnica é recente e ainda se encontra em estudos para avaliar sua eficácia para uso na detecção do câncer de mama. Alguns radiologistas acreditam que esta técnica será muito útil na identificação de áreas suspeitas encontradas nas mamografias regulares. A pesquisa atual visa melhorar a tecnologia e avaliar sua utilização em situações específicas, como em mamas densas de mulheres mais jovens. Alguns estudos já sugerem que esta técnica pode ser quase tão precisa quanto a ressonância magnética. No entanto, este exame não irá substituir a mamografia.

  • Tomossíntese

Esta tecnologia é basicamente uma extensão da mamografia digital. Neste exame, a mama é comprimida enquanto o equipamento libera doses baixas de RaiosX e se move sobre a mesma. As imagens obtidas podem ser combinadas tridimensionalmente. Esta técnica permite uma visualização mais clara das áreas com problemas, diminuindo a chance do paciente ter que retornar para repetir as imagens. Entretanto, o papel dessa nova tecnologia ainda não está claro para uso no rastreamento e diagnóstico.

  • Detecção e Diagnóstico Auxiliado por Computação (CAD)

A detecção e diagnóstico auxiliado por computação (CAD) foi desenvolvida para ajudar os radiologistas a detectar alterações suspeitas nas mamografias. Nesta técnica, a computação ajuda os médicos a identificar as áreas anormais da mamografia, usando filmes mamográficos convencionais ou com imagens digitais.

Alternativamente, esta tecnologia pode ser aplicada a uma mamografia digital. O computador exibe a imagem em uma tela de vídeo, com marcadores que apontam as áreas que devem ser avaliadas detalhadamente.

Embora alguns médicos concordem que o CAD é uma técnica útil, os resultados de dois grandes estudos concluíram que seu uso não diagnosticou uma quantidade maior de casos de câncer ou detectou cânceres em estágio inicial. O uso deste exame a curto ou médio prazo ainda é incerto.

Tratamento

  • Cirurgia Oncoplástica

A cirurgia conservadora da mama (tumorectomia ou mastectomia parcial) é muitas vezes usada para o câncer de mama em estágio inicial. Mas em algumas mulheres, isso pode resultar em mamas de tamanhos e formas diferentes. Para tumores maiores, ela pode até não ser possível, e a mastectomia pode ser realizada. Alguns médicos utilizam uma combinação da cirurgia do câncer com técnicas de cirurgia plástica, conhecida como cirurgia oncoplástica. Isto envolve tipicamente a remodelação da mama, no momento da cirurgia conservadora inicial, e pode envolver a cirurgia da outra mama para torná-las simétricas. Esta abordagem é ainda bastante nova, e nem todos os médicos estão satisfeitos com ela.

  • Cirurgia de Reconstrução Mamária

O número de mulheres com câncer de mama que optam pela cirurgia conservadora aumentou, mas ainda existem algumas mulheres que, por razões médicas ou pessoais, optam pela mastectomia. Outras optam também pela cirurgia de reconstrução mamária para restaurar a aparência da mama.

Os avanços técnicos na cirurgia microvascular criaram procedimentos com retalhos como uma opção para a reconstrução da mama.

Durante muitos anos, a preocupação com uma possível ligação entre os implantes mamários e doenças do sistema imunológico desencorajaram algumas mulheres a optarem pelos implantes como método de reconstrução da mama.

Estudos recentes constataram que, embora os implantes possam causar alguns efeitos colaterais, as mulheres com implantes não têm um risco aumentado para doenças do sistema imunológico em relação àquelas que não fizeram esta cirurgia. Da mesma forma, a preocupação de que os implantes de mama aumentam o risco de recidiva da doença ou de formação de novos cânceres não é confirmada pelas evidências atuais.

  • Radioterapia

Para as mulheres que tem indicação de radioterapia após a cirurgia conservadora da mama, novas técnicas, como a radioterapia hipofracionada ou irradiação parcial da mama podem ser tão eficazes, quanto convenientes. Estas técnicas estão em estudo.

  • Quimioterapia

O câncer de mama avançado é muitas vezes difícil de tratar, por isso os pesquisadores estão sempre buscando novos medicamentos.

Estão em fase de testes medicamentos para cânceres causados pelas mutações dos genes BRCA. Estes medicamentos chamados inibidores de PARP têm se mostrado promissores nos ensaios clínicos de mama, ovário e metástase de próstata. Novos estudos estão em andamento para avaliar se esses medicamentos podem ajudar os pacientes sem mutações dos genes BRCA.

  • Terapia Alvo

As terapias alvo são um grupo de novos medicamentos que especificamente tiram vantagem das alterações genéticas nas células que causam o câncer:

  1. Drogas que tem como alvo o HER2 – Existem duas drogas aprovadas para o excesso da proteína HER2, o trastuzumab e o lapatinib. Mas, os estudos continuam para definir qual delas é melhor para o tratamento de câncer de mama em estágio inicial. Outras drogas que têm como alvo a proteína HER2 estão sendo testadas em ensaios clínicos, incluindo o TDM-1 e o neratinib. Os pesquisadores também estão pesquisando uma vacina para atingir a proteína HER2.
  2. Drogas anti-angiogênicas – Para que o câncer cresça, os vasos sanguíneos devem se desenvolver para nutrir as células cancerígenas. Este processo é chamado de angiogénese. Alguns estudos detectaram que o câncer de mama cercado por muitos vasos sanguíneos tendem a serem mais agressivos. Entretanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar isso.
  3. Bevacizumab – É um exemplo de medicamento anti-angiogênese. Embora se tenha constatado que o bevacizumab não é muito útil no tratamento do câncer de mama, esta abordagem ainda pode ser aplicável no tratamento da doença. Várias outras drogas anti-angiogênicas estão sendo testadas em ensaios clínicos.
  4. Drogas que tem como alvo o EGFR – O receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR) é outra proteína encontrada em quantidades elevadas sobre as superfícies de algumas células cancerígenas. Algumas drogas que tem como alvo o EGFR, como cetuximab e erlotinib, já são utilizadas para tratar outros tipos de câncer, enquanto outras drogas anti-EGFR ainda são consideradas experimentais. Estudos estão em andamento para verificar se estas drogas também podem ser eficazes contra o câncer de mama.
  5. Outras drogas específicas – O everolimus é uma terapia alvo para tratar o câncer de rim. Em um estudo, o uso do letrozol com o everolimus mostrou-se mais eficaz que o letrozol usado isoladamente para diminuir o tamanho dos tumores de mama antes da cirurgia. Mais estudos utilizando esta droga estão em andamento.

Muitos outros alvos potenciais para novos medicamentos contra o câncer de mama foram identificados nos últimos anos. Medicamentos baseados nesses alvos estão sendo estudados, mas a maioria ainda em estágios iniciais dos ensaios clínicos.

  • Bisfosfonatos

Os bisfosfonatos são drogas usadas para ajudar a fortalecer e reduzir o risco de fraturas em ossos enfraquecidos pelo câncer de mama metastático. Entre os bisfosfonatos usados estão o pamidronato e o ácido zoledrônico.

Alguns estudos sugerem que o ácido zoledrônico pode ajudar outras terapias sistêmicas, como o tratamento hormonal e a quimioterapia a terem um efeito mais eficaz. Em um estudo, as mulheres que receberam ácido zolendrônico com quimioterapia tiveram seus tumores reduzidos mais do que às tratadas apenas com quimioterapia. Em outros estudos, a administração do ácido zoledrônico com outro tratamento adjuvante reduziu o risco de recidiva. Alguns estudos mais recentes não demonstraram benefício em administrar esse medicamento com a químio adjuvante. Portanto, mais estudos ainda são necessários para determinar se os bisfosfonatos podem ser usados como parte do tratamento padrão para o câncer de mama em estágio inicial.

  • Denosumab

O denosumab também pode ser usado para ajudar a fortalecer e reduzir o risco de fraturas ósseas, que foram enfraquecidos pelo câncer de mama metastático. Atualmente, ele está sendo estudado para verificar se pode ajudar aos tratamentos adjuvantes a funcionarem melhor.

  • Vitamina D

Um estudo recente detectou que mulheres com câncer de mama em estágio inicial, deficientes em vitamina D tinham uma maior probabilidade de ter metáteses. Entretanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar esta conclusão, e ainda não está claro se a ingestão de suplementos de vitamina D pode ser útil.

Fonte: American Cancer Society (11/06/2012)

CAPC

Autor: CAPC

O CAPC visa principalmente a assistência humanitária e social às pessoas com câncer e seus familiares em situação de vulnerabilidade.

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