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Novidades no Tratamento do Câncer de Próstata

Muitas pesquisas sobre câncer de próstata estão em desenvolvimento em diversos centros médicos no mundo inteiro, promovendo grandes avanços em prevenção, detecção precoce e tratamentos:

  • Alterações Genéticas

Durante as últimas décadas as pesquisas têm feito grandes progressos na aprendizagem sobre as diferenças entre células normais e células cancerígenas. Os pesquisadores começam a entender melhor como essas diferenças levam células normais a crescer e se disseminar para outras partes do corpo. Dessa forma, as novas pesquisas sobre genes ligados ao câncer de próstata permitem um melhor entendimento de como o câncer de próstata se desenvolve.

A maioria dos genes estudados até agora são de cromossomos herdados dos pais. Algumas pesquisas descobriram que a variante mitocondrial do DNA, herdada apenas da mãe, pode duplicar ou mesmo triplicar o risco de um homem desenvolver câncer de próstata.

Um dos maiores problemas é determinar quais os tipos de câncer de próstata tendem a permanecer dentro da glândula e quais tem maior probabilidade de crescer e se disseminar. Novos estudos parecem caminhar para isso, por exemplo, o produto do gene EZH2 surge com mais frequência em câncer de próstata avançado do que em estágio inicial. Isso poderá ajudar a definir quais homens devem fazer tratamento e quais podem ser mantidos em regime de vigilância ativa.

  • Prevenção

Os pesquisadores continuam a procurar por alimentos que podem levar a um menor risco de câncer de próstata. Algumas substâncias no tomate (licopeno) e na soja (isoflavonas) ajudam a prevenir o câncer de próstata. Também está em andamento o desenvolvimento de compostos relacionados para uso como suplementos dietéticos. Até agora, a maioria das pesquisas sugere que uma dieta equilibrada que inclua estes alimentos, assim como frutas e legumes, traz maiores benefícios do que ingerir essas substâncias como suplementos dietéticos.

Alguns estudos sugerem que certos suplementos vitamínicos e minerais, como vitamina E e selênio, pode reduzir o risco de câncer de próstata. Mas um grande estudo sobre essa questão, denominado Selênio e Vitamina E na Prevenção do Câncer (SELECT), descobriu que nem a vitamina E, e nem suplementos de selênio reduzem o risco de câncer de próstata, mesmo após o uso diário de cerca de 5 anos.

Outra vitamina que pode ser importante é a vitamina D. Alguns estudos detectaram que homens com altos níveis de vitamina D parecem ter um risco menor para a doença. Entretanto, globalmente, os estudos não concluíram que a vitamina D proteja contra a doença.

Muitas pessoas assumem que as vitaminas e outras substâncias naturais não causam nenhum dano, mas pesquisas recentes mostraram que altas doses podem ser prejudiciais, incluindo os suplementos comercializados especificamente para o câncer de próstata.

Os pesquisadores também testaram medicamentos hormonais, como os inibidores da 5-alfa redutase, como forma de reduzir o risco de câncer de próstata.

  • Detecção Precoce

Os médicos concordam que o antígeno prostático específico (PSA) não é um exame perfeito para diagnosticar o câncer de próstata, por deixar de lado alguns tipos de câncer e algumas vezes mostrar-se elevado quando a doença não está presente.

Uma abordagem é tentar melhorar o exame que mede o nível de PSA total. O PSA livre é uma maneira de fazer isso, embora exija dois exames separados. Outra opção poderia ser medir apenas o PSA complexo, em vez do PSA total e livre. Este exame pode fornecer a mesma quantidade de informações que os outros dois feitos separadamente. Estudos estão em andamento para ver se este exame fornece o mesmo nível de precisão.

Outra abordagem é desenvolver novos exames baseados em outros marcadores tumorais. Vários novos exames sanguíneos parecem ser mais precisos do que o PSA. Os primeiros resultados foram promissores, mas ainda não estão disponíveis fora dos laboratórios de pesquisa.

Outros novos exames em andamento são os de urina, um deles avalia o nível do antígeno do câncer de próstata (PCA3) na urina. Quanto maior o nível, mais provável a presença de doença. Outro exame em estudo procura por uma alteração anormal no gene TMPRSS2: ERG em células da próstata. Esta alteração no gene é encontrada em cerca da metade de todos os cânceres de próstata. Estudos estão em andamento para desenvolver um teste para detecção precoce do câncer de próstata.

  • Diagnóstico

As biópsias da próstata muitas vezes dependem da ultrassonografia transretal, que cria imagens em preto e branco para mostrar os locais onde remover amostras. Mas o ultrassom normal não pode detectar algumas áreas cancerígenas.

Uma nova abordagem é medir o fluxo de sangue dentro da glândula usando o eco-Doppler colorido, o que permite biópsias mais precisas.

Uma técnica ainda mais recente pode aumentar a precisão do Doppler colorido. Esta técnica envolve a administração de uma injeção com um agente de contraste contendo microbolhas. Os resultados são promissores, mas mais estudos ainda são necessários.

Os médicos também estão avaliando o uso da ressonância magnética para auxiliar nas biópsias da próstata em homens com resultados negativos nas biópsias guiadas por ultrassom transretal, e que o médico ainda suspeita da presença da doença.

  • Estadiamento

O estadiamento desempenha um papel fundamental na decisão do tratamento. Os exames de imagem para câncer de próstata, como tomografia computadorizada e ressonância magnética não conseguem detectar todos os cânceres, especialmente as pequenas áreas nos gânglios linfáticos.

Um novo método, chamado de IMR de aumento, pode ajudar a diagnosticar a doença nos gânglios linfáticos. Primeiro, os pacientes fazem a ressonância magnética padrão, depois são injetados minúsculas partículas magnéticas e um novo exame é realizado no dia seguinte. As diferenças entre essas duas varreduras apontam as possíveis células cancerígenas nos gânglios linfáticos. Os primeiros resultados desta técnica são promissores, mas ainda são necessárias mais pesquisas antes que se torne amplamente utilizada.

Um novo tipo de tomografia por emissão de pósitrons, que utiliza acetato de carbono radioativo em vez de FDG também pode ser útil na detecção da doença em diferentes partes do corpo, bem como para determinar se o tratamento foi eficaz. Estudos dessa técnica estão em andamento.

  • Tratamento

Esta é uma área muito ativa das pesquisas. Novos tratamentos estão em desenvolvimento e melhorias estão sendo feitas na terapia padrão do câncer de próstata.

  • Cirurgia

Se os nervos que controlam as ereções devem ser removidos na cirurgia, o homem se tornará impotente. Atualmente, alguns médicos estão explorando o uso de enxertos de nervos para restaurar a potência. Estes enxertos podem ser nervos removidos de outras partes do corpo ou artificiais. Este ainda é considerada uma técnica experimental, e nem todos os médicos concordam quanto à sua utilidade.

  • Radioterapia

Os métodos atualmente utilizados, como a radioterapia conformacional, de intensidade modulada e com feixes de prótons permitem o tratamento apenas da glândula da próstata e evitam a irradiação dos tecidos normais, tanto quanto possível. Entretanto, estudos em andamento visam detectar quais as técnicas de radioterapia são mais adequadas para grupos específicos de pacientes com câncer de próstata.

A tecnologia está tornando outras formas de radioterapia mais eficazes. Novos programas de computador permitem um melhor planejamento das doses de radiação, tanto para radioterapia externa como para braquiterapia. O planejamento braquiterápico pode ser feito até durante o procedimento cirúrgico.

  • Tratamentos para Câncer em Estágio Inicial

Os pesquisadores estão voltados para novas formas de tratamento para a doença em estágio inicial, que podem ser utilizados como tratamento principal ou após a radioterapia.

Um tratamento, conhecido como ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), destrói as células cancerígenas, aquecendo-as com feixes ultrassônicos. Estudos estão em andamento para determinar sua segurança e eficácia.

  • Alterações Nutricionais e no Estilo de Vida

Um estudo detectou que homens com nível de PSA alto após a cirurgia ou radioterapia, que tomaram suco de romã tiveram uma diminuição razoável no nível de PSA. Estudos estão em andamento para tentar confirmar estes resultados.

Um pequeno estudo detectou que o uso diário de linhaça parece diminuir o ritmo com que as células cancerígenas se multiplicam. Entretanto, mais pesquisas ainda são necessárias para confirmar este achado.

Outro estudo detectou que homens que optaram por não fazer tratamento para o câncer de próstata localizado foram capazes de retardar seu crescimento alterando seu estilo de vida. Eles mantiveram uma dieta vegetariana e praticaram exercício com frequência. Eles também participaram de grupos de apoio e de yoga. Após um ano, esses homens tiveram, em média, uma ligeira queda no nível do PSA. Não se sabe se esse efeito vai durar uma vez que o estudo acompanhou os homens por apenas 1 ano.

  • Hormonioterapia

Várias novas formas de hormonioterapia foram desenvolvidas nos últimos anos. Um exemplo é a abiraterona, uma droga que bloqueia a enzima CYP17. Esta droga foi aprovada para o tratamento do câncer de próstata avançado.

Outro novo medicamento que funciona de maneira semelhante, é o orteronel. Esta droga pode ter como alvo o CYP17, que pode acabar com a necessidade do uso de esteroides, como prednisona, junto com o tratamento. Atualmente, o orteronel está disponível apenas em ensaios clínicos.

O MDV3100 é um novo tipo de antiandrôgeno que se liga ao receptor de andrôgeno mais fortemente que as drogas antiandrôgenos padrão. Esta droga está em fase final de ensaios clínicos.

  • Quimioterapia

Estudos recentes têm mostrado que muitas drogas quimioterápicas podem afetar o câncer de próstata. Algumas, como o docetaxel e a cabazitaxel aumentam a sobrevida. Outras drogas quimioterápicas e novas combinações de medicamentos estão sendo estudados.

  • Vacinas

Vários tipos de vacinas para estimular a resposta do sistema imunológico às células cancerígenas estão em fase de ensaios clínicos. Ao contrário das vacinas contra infecções, como sarampo, essas vacinas são projetadas para tratar, e não prevenir a doença. Uma possível vantagem destes tipos de tratamentos é que parecem ter menos efeitos colaterais. Exemplo deste tipo de vacina é o sipuleucel-T.

Outra vacina para o câncer de próstata (PROSTVAC-VF) usa um vírus geneticamente modificado para conter o antígeno prostático específico (PSA). O sistema imunológico do paciente deve responder ao vírus e começar a reconhecer e destruir as células cancerígenas contendo PSA. Os primeiros resultados desta vacina são promissores.

Muitas outras vacinas para o câncer de próstata estão em desenvolvimento.

  • Inibidores da Angiogênese

O crescimento de tumores de próstata depende do crescimento de novos vasos sanguíneos (angiogênese) para nutrir as células cancerígenas. Os cânceres que estimulam o crescimento de novos vasos sanguíneos são mais difíceis de tratar.

Novas drogas em estudo poderão ser úteis para parar o crescimento do câncer de próstata, impedindo a formação de novos vasos sanguíneos. Várias drogas anti-angiogênicas estão em fase de testes, uma delas é a talidomida. Ele está sendo combinada com a quimioterapia em ensaios clínicos para o tratamento de homens com câncer de próstata avançado. Embora os resultados sejam promissores, esta droga pode causar efeitos colaterais, como constipação, sonolência e danos nos nervos.

Outra droga, o bevacizumab está sendo testada em combinação com a hormonioterapia e quimioterapia em homens com câncer de próstata avançado.

  • Prevenção ou Tratamento de Metástases

Novos medicamentos podem ajudar a prevenir ou tratar a disseminação do câncer de próstata para os ossos.

O radium-223 é um medicamento radioativo administrado como via intravenosa. Em um estudo com pacientes com metástases ósseas, essa droga aliviou os sintomas e aumentou a sobrevida.

A cabozantinib é um novo medicamento que tem como alvo a proteína Met, além de ter um efeito sobre a angiogênese pela proteína VEGFR. Em um estudo, esta droga reduziu e até mesmo eliminou tumores ósseos em homens com a doença. Este foi um achado promissor e raro, embora não esteja claro e quanto tempo isso pode durar ou se permite aumentar a sobrevida. Maiores estudos estão em andamento para tentar responder a estas perguntas.

Os médicos também estão estudando o uso de ablação por radiofrequência para ajudar no controle da dor em pacientes com metástases ósseas. Na ablação, o médico usa a tomografia computadorizada ou o ultrassom para guiar uma sonda até o tumor. Uma corrente de alta frequência enviada pela sonda aquece e destrói o tumor. A ablação já é utilizada no tratamento de tumores em outros órgãos, como o fígado, mas sua utilização no tratamento da dor óssea ainda é bastante nova. Ainda assim, os resultados iniciais são promissores.

Fonte: American Cancer Society (27/02/2012)

CAPC

Autor: CAPC

O CAPC visa principalmente a assistência humanitária e social às pessoas com câncer e seus familiares em situação de vulnerabilidade.

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